Biografia de São Camilo


São Camilo de Lellis
Um gigante da caridade

           

História de São Camilo

 

 

Pertencente a uma nobre e tradicional família, Camilo de Lellis foi militar, mas, devido ao seu caráter, acabou expulso da tropa. Viciado em jogo, levava uma vida profana e decadente. Perdeu todos os seus bens. No momento mais melancólico de sua vida, em uma situação de mendicância, Camilo foi tocado pela graça divina e se arrependeu de todos os seus pecados, passando a dedicar sua vida a servir, por espírito de caridade, aos doentes pobres em hospitais. E diante de tanta dedicação, fundou a Companhia dos Servidores dos Enfermos, conhecidos como Camilianos. E não é por menos que se tornou patrono dos enfermos e dos hospitais.

 

 Seu sobrenome remonta à história da Igreja, época de Teodoro de Lellis, o Cardeal Pio II. Mas São Camilo de Lellis fez a própria história e deixou sua fé e sua dedicação aos enfermos disseminadas por todo o mundo.

 

São Camilo era italiano de Bucchianico, no antigo Reino de Nápoles. Em 1550, ano de seu nascimento, sua família carregava no sangue a virtude, a coragem e o brio dos que lutaram nas Cruzadas.

 

Seu nascimento coroou o casamento de tantos anos da senhora Camila, a mãe, que até os 60 anos de idade não tinha conseguido dar um herdeiro ao esposo João, assim como Izabel, a mãe de São João Batista, que já era avançada em idade quando o concebeu.

 

O pai, a serviço das armas, vivia mais nos acampamentos e campos de batalha do que no lar. Como poderia uma mãe idosa educar um menino que se tornou muito crescido para sua idade, e de um temperamento belicoso como o sangue que lhe corria nas veias? Apesar disso, conseguiu ensinar-lhe os rudimentos da Religião. Mas, sem que ela o soubesse, a par disso o menino aprendia também o segredo dos naipes e dos dados e, mais tarde se tornaria um viciado jogador.   

 

VIDA VOLUNTÁRIA

 

            Foi com 17 anos que Camilo se alistou como voluntário no exército de Veneza. Naquela época, pode conviver com o  drama dos enfermos que agonizavam com várias doenças. Foi nessa época também que Camilo passou a viver com uma dolorosa úlcera no pé, que o acompanhou até o último dia de vida. Nesse período, também sofreu a perda do pai, e sua vida enveredou-se para os prazeres mundanos, como o da jogatina.

 

A vida de Camilo mudou completamente. Sofreu diante da falta de condições financeiras e de saúde. Doente, não conseguiu local para internar-se, o que o fez partir para Roma, pedindo auxílio no Hospital Santiago, justamente para tratar a chaga do pé. Camilo não tinha dinheiro para pagar o tratamento e ofereceu-se para trabalhos de servente e de enfermeiro.

           

Mas a paixão do jogo o perseguia, e ele fugia do hospital para ir atrás das cartas. Como incorrigível, foi expulso do hospital. Pensou novamente na carreira das armas e entrou, a serviço delas, em um navio veneziano que partia para o Oriente. Participou de várias batalhas, e por estar gravemente enfermo não pôde combater em Lepanto, a famosa batalha em que Nossa Senhora apareceu e deu a vitória aos católicos contra os muçulmanos.

           

Enquanto lutava como um herói, jogava desatinadamente. Uma violenta tempestade no mar fez com que ele, assustado, se lembrasse do voto de tornar-se franciscano. Passada a tormenta, esqueceu-se novamente do voto, continuando na carreira das armas e subjugado pelo vício do jogo.

 

Retornou a Roma para cuidar da chaga, que lhe reaparecera na perna. Mas perdeu no jogo até a camisa do corpo. Saiu da cidade, e em Manfredônia foi recebido pelos capuchinhos. O superior do convento, notando-lhe algo de especial, falou-lhe de Deus e da vocação religiosa. Camilo, tocado pela graça,  converteu-se realmente, sendo recebido como postulante. Quando passava pela vila, conduzindo duas mulas do convento, a criançada corria atrás dele gritando: “Aí vem o São Cristóvão, aí vem o São Cristóvão!”, devido à sua elevada estatura.

 

NA ESCOLA, HUMILDEMENTE ENTRE OS MENINOS

 

            Aos 32 anos quis continuar seus estudos, para ordenar-se sacerdote, o que ocorreu aos 34 anos. Como Santo Inácio de Loyola, assentou-se nos bancos escolares com os meninos, o que o tornava sobremodo notório pela sua estatura, tão mais elevada que a de seus condiscípulos.

           

Entretanto, não era desígnio de Deus que ele permanecesse entre os franciscanos. A úlcera reapareceu em sua perna e eles, pesarosos, o despediram.

           

Voltou para a Cidade Eterna, onde permaneceu durante quatro anos até a úlcera ser curada. Julgou então seu dever voltar para os franciscanos, apesar de seu confessor, São Felipe Néri, o ter desaconselhado, predizendo que a chaga se reabriria. Foi o que aconteceu, tendo Camilo que voltar ao hospital.

           

Ali, dedicou-se a cuidar dos enfermos, chegando a ser nomeado administrador geral do hospital. Certo dia, olhando para o Crucifixo enquanto cuidava dos doentes, exclamou: “Ah! Seria necessário aqui homens que não fossem conduzidos pelo amor ao dinheiro, mas pelo amor de Nosso Senhor que fossem verdadeiras mães para esses pobres doentes, e não mercenários. Mas, onde encontrar tais homens?”. Começou então a ruminar o pensamento da fundação de uma Ordem religiosa para essa finalidade. Camilo foi levado a agir assim diante da exploração, da desonestidade e da falta de escrúpulos dos médicos para com os doentes.

 

NASCE A ORDEM DOS CAMILIANOS

 

            Logo se lhe juntaram mais quatro discípulos, com os quais ele se reunia para rezarem e meditarem juntos, e depois cuidarem dos enfermos. Era o núcleo de sua futura congregação. Nas mil e uma dificuldades que surgiram para a consecução desse fim, ele sempre encontrava consolo em Nosso Senhor crucificado, que lhe dizia: “Não temas nada, eu estarei contigo”.

 

Em 21 de setembro de 1591, o papa Gregório XIV elevou a Congregação de Camilo ao “status” de Ordem Religiosa.

 

CUMPRIU ABNEGADO SUA MISSÃO

 

Na guerra que logo em seguida houve na Hungria, os “Camilianos” trabalharam como primeira unidade médica de campo, cuidando dos feridos.

 

Não bastou a Camilo tomar consigo apenas bons enfermeiros e até alguns médicos. Os doentes careciam também de assistência religiosa. É evidente que a alma bem cuidada dispõe melhor o corpo para suportar os sofrimentos e sobrepor-se à doença. Vale destacar que antes de ser santo, Camilo não tinha qualquer ligação de fé no Senhor.

 

Muito doente, Camilo renunciou ao cargo de Superior Geral de sua ordem religiosa em 1607.

 

Nos primeiros dias de julho de 1614, já no seu leito de morte, recebeu a última comunhão e deixou as seguintes recomendações:

“Observai bem as regras. Haja entre vós uma grande união e muito amor. Amai, e muito, a nossa Ordem e dedicai-vos ao apostolado dos enfermos. Trabalhai com muita alegria nesta vinha do Senhor. Se Deus me levar para o céu, vos hei de ajudar muito de lá. As perseguições que sofreu nossa obra vieram do ódio que o demônio tem ao ver quantas almas lhe escaparam pelas garras. E já que Deus se serviu de mim, vilíssimo pecador, para fundar miraculosamente esta Ordem, Ele há de propagá-la para o bem de muitas almas pelo mundo inteiro. Meus padres e queridos irmãos: eu peço misericórdia a Deus e perdão ao padre geral aqui presente e a todos vós, de todo mau exemplo que eu pudesse Ter dado, talvez mais pela minha ignorância, do que pela má vontade. Enfim, eu vos concedo da parte de Deus, como vosso Pai, em nome da Santíssima Trindade e da bem-aventurada Virgem Maria, a vós aqui presentes, aos ausentes e aos futuros, mil bençãos.”

 

Camilo de Lellis faleceu em Roma, no dia 14 de julho de 1614. Seu funeral foi marcado por muita comoção e seu féretro acompanhado de uma multidão. Mas um milagre era vista naquele dia: enquanto preparavam o corpo de Camilo para o funeral, os médicos, estarrecidos, notaram que a chaga havia desaparecido.

 

Em 1746, durante uma festa dos Santos  Apóstolos Pedro e  Paulo, o Papa Bento XIV, no dia 29 de junho, declarou Santo o nome de Camilo de Lellis. Em 1886, Leão XIII declarou São Camilo, juntamente com São João de Deus, Celestes protetores de todos os enfermos e hospitais do mundo católico. A festa de São Camilo é celebrada dia 14 de julho, data de sua morte.

 

Fonte: Biografia de São Camilo, por www.camilianos.org.br

 

 




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