SEM LEGENDA
           Santa Regina
por: Regina Céli Pinhata Novelini
            Pelo ano 238 nasceu Regina de pais distintos por sua nobreza. Poucos dias depois de seu nascimento perdeu sua mãe, o que obrigou Clemente, seu pai, a manda-la para amamentar.
            Aquela pessoa a quem entregou Regina era por felicidade cristã, sem que seu pai, que era pagão, ficasse sabendo.
            Nunca houve criança mais amável, por isso sua ama a amava como se fosse sua filha. As primeiras lições que lhe deu foram sobre religião e Regina podia apenas balbuciar e já dizia que queria ser cristã.
            Sua ama depois de lhe instrui-la secretamente fez com que fosse batizada, tendo assim recebido com o leite, as verdades cristãs. Todo seu gosto era ouvir falar do reino dos céus, da virgindade e da glória do martírio.
            Deus a dotou de uma rara beleza, quase não aparecia em público e passava muitas horas do dia em oração e lendo a vida dos mártires e das virgens que deram a vida por Cristo.
            Abrasada de amor por Jesus, dedicou e consagrou a Deus sua virgindade, sabendo que por isso passaria por muitos tormentos e dizia: “Jesus Cristo não há de me abandonar, nele ponho toda minha confiança”.
            O pai de Regina, tão contente estava com os cuidados da ama que só a retirou da casa dela na época de casar. Tantos pretendentes apareceram que obrigaram Clementes a escolher o que melhor convinha e que ele julgava merecer sua filha.
            Regina escutou com modéstia a proposta que seu pai lhe fez, quando entendeu que era hora de falar: “Meu querido pai, bem conheço que me amais com ternura e que procurais a minha felicidade, mas quero ter por esposo eternamente aquele que é verdadeiramente nosso único Deus, nosso Criador nosso Salvador”.
            Seu pai lhe respondeu: “Minha filha, será possível que vos tenham fascinado o espírito com estas extravagâncias cristãs?”
            Clemente furiosamente irritado começou a maltrata-la, depois de ter esgotado todas suas ameaças.
            Estando Olíbrio, governador das Gálias, passando pela cidade, ficou sabendo do caso de Regina, quis conhece-la e ficou deslumbrado.
            Regina durante as expressões lisongeiras que o governador lhe dirigiu, conservou sempre sua modéstia, abaixando os olhos e dizendo que sendo cristã, resolveu ficar virgem até a morte, preferindo esta vida ao invés de uma coroa.
            O pai da santa, levando-a para casa, tentou de todas as maneiras convence-la a aceitar seu pretendente, mas de nada adiantou, por isso numa atitude de desespero denunciou-a ao governador das Gálias. Este pediu  o seu comparecimento em sua presença para intimida-la, mas bastou aparecer a santa para o desarmar.
            Falou-lhe em termo respeitoso, mas depois mais seriamente disse: “É possível, senhora que uma dama do vosso espírito, do vosso mérito e qualidade se deixe tornar serva de um miserável Galileu que expirou em um patíbulo e que tem uma seita extravagante, só composta de simples escravos?” A santa ouviu tudo com muita indiferença e frieza e disse: “Senhor, aquele que vós chamais Galileu é o verdadeiro Deus que morreu para nossa salvação e que ressuscitou da morte por sua própria virtude”.
            O governador não gostou da resposta “Visto que a minha bondade para convosco nada pode, veremos se os suplícios vos tornam mais sábia”. E logo a mandou para o cárcere.
            Regina passou toda a noite em orações e Deus a cumulou de consolações espirituais que lhe davam ânimo e novo fervor e feliz por ter a esperança de morrer virgem e mártir.
            Olíbrio, o governador tentou mais umas vezes convencer Regina a mudar de idéia, mas tudo
            Certa noite apareceu-lhe uma grande cruz que ia da terra ao céu, no alto dela estava uma pomba, cujo resplendor e claridade iluminou o calabouço e ouviu uma voz celeste que lhe dizia: “Coragem tua cruz será a escada para subires ao céu”.
            Desde que ouviu esta voz, desapareceram todas as dores e sentiu-se com novo ânimo. O governador continuou a aplicar-lhe castigos terríveis e enquanto Regina exortava o povo para converter-se ouviu-se uma voz que dizia: “Vem Regina, vem reinar eternamente no céu”. Como todos os presentes ouviram esta voz, oitocentas e cinqüenta pessoas se converteram e o governador receando algum motim, mandou-lhe imediatamente cortar sua cabeça.
            Assim terminou o martírio desta jovem heroína a 07 de Setembro de 253. Junto a seu corpo foi edificadas uma capela e mais tarde, várias casas foram construídas em volta, surgindo uma vila com o nome de Santa Regina.